Conheci o Movimento Mães que Oram pelos Filhos em 2019, em uma fase muito difícil da minha vida, marcada pela enfermidade. Uma amiga me convidou para participar de um encontro paroquial em sua paróquia. Fui profundamente tocada e, desde então, passei a participar dos encontros semanais e também dos encontros na Canção Nova. Ali encontrei acolhimento, fortalecimento espiritual e a certeza de que Deus caminhava comigo.
Em 2024, durante um desses encontros na Canção Nova, recebi o convite para assumir a coordenação do AMO-Escola no Colégio Católica.
Num primeiro momento, fiquei assustada. Era uma missão grande, que exigia tempo, dedicação e confiança. Coloquei tudo em oração e, acreditando que Deus não chama os capacitados, mas capacita os que chama, aceitei esse desafio.
O AMO-Escola tem uma missão muito bonita: unir as famílias por meio do diálogo e da oração, fortalecendo os vínculos familiares e promovendo os valores cristãos no ambiente educacional, envolvendo pais, filhos e colaboradores da instituição.
Logo percebi que a realidade de um grupo dentro de uma escola possui desafios muito próprios. Sonhava com uma participação maior das famílias e também com um apoio mais efetivo da própria instituição. Em muitos momentos, esse apoio não aconteceu da forma como eu esperava. Ainda assim, isso nunca foi motivo suficiente para desistir. Aprendi que a missão não depende apenas das circunstâncias favoráveis, mas, sobretudo, da fidelidade ao chamado de Deus.
O maior desafio, porém, foi perceber a dificuldade de formar uma equipe comprometida. Muitas vezes, mesmo com uma rotina intensa de trabalho como plantonista e poucas horas de descanso, eu preparava cada encontro com carinho: estudava, organizava a formação, rezava e buscava oferecer o meu melhor. Houve dias em que passei a madrugada preparando o encontro e, ao chegar, não havia nenhuma mãe presente. Nesses momentos, em vez de desanimar, rezava o terço diante do Senhor e pedia que Ele mesmo conduzisse aquela missão e tocasse os corações.
Confesso que nem sempre foi fácil. Houve momentos de solidão, de cansaço e de questionamentos. Mas também foi nesse caminho que aprendi uma das maiores lições que o Movimento me proporcionou: a missão é, antes de tudo, para Deus.
Se o meu olhar estivesse voltado apenas para os resultados, talvez eu tivesse desistido há muito tempo. Porém, quando compreendi que cada encontro preparado, cada oração e cada gesto de amor eram oferecidos ao Senhor, encontrei forças para continuar.
Hoje encerro minha missão como coordenadora com o coração leve e em paz. Não porque tudo aconteceu como eu sonhava, mas porque tenho a consciência de que entreguei ao Senhor o melhor que eu podia oferecer. Deus me ensinou que perseverar também é um milagre. Permanecer fiel quando poucos permanecem, continuar servindo quando o reconhecimento não vem e acreditar na obra de Deus mesmo sem ver imediatamente os frutos também faz parte da caminhada de quem foi chamado.
Saio dessa missão profundamente grata. O Movimento transformou a minha vida, fortaleceu minha fé e me fez compreender que o verdadeiro sucesso da missão não está nos números, mas na fidelidade.
Confio que Deus continuará conduzindo o AMO-Escola, despertando novos corações para servir e realizando Sua obra no tempo certo. Afinal, quem iniciou essa missão foi Ele, e é Ele quem continuará sustentando cada passo.
Jeanne Marcelino
Mãe que Ora pelos Filhos
Nossa Senhora de La Salette, reconciliadora dos pecadores, rogai sem cessar por nós, que recorremos a vós.



