Há momentos em que o coração vive um verdadeiro combate. Ao mesmo tempo em que surge a alegria por perceber Deus conduzindo os acontecimentos, também aparecem dúvidas, inseguranças e a sensação de que talvez nada faça sentido. Nessas horas, torna-se ainda mais necessário confiar que existe um tempo para todas as coisas e que o Senhor conduz cada passo.
Algumas experiências deixam saudades, especialmente quando foram vividas como oportunidade de servir no seu lar. Recordar esses momentos desperta gratidão, mas também convida a compreender que Deus continua realizando Sua obra, ainda que por caminhos diferentes.
Ao longo da caminhada, pode surgir a impressão de que determinadas atitudes ou formas de agir causam incômodo. Porém, antes de olhar para o outro, é preciso olhar para dentro do próprio coração. Muitas vezes, o incômodo não é um sinal de que se está certo ou errado, mas uma oportunidade de Deus purificar as intenções, esvaziar o orgulho, vencer a autossuficiência e ensinar a humildade. O Senhor permite certas situações para formar Seus filhos, ensinando que a obra é sempre d’Ele, nunca nossa.
A busca pelo que é correto continua sendo um compromisso, mas precisa caminhar junto com a docilidade, a obediência e a caridade. Não basta desejar fazer o bem; é necessário permitir que Deus ensine também a maneira de fazê-lo. A verdade, quando nasce do amor, conduz à unidade e nunca à divisão.
Em qualquer realidade humana existem fragilidades, vaidades, tentações e limites. A primeira batalha acontece dentro do próprio coração. Por isso, antes de desejar transformar o mundo, é preciso permitir que Deus transforme a si mesmo. A conversão começa no interior de cada um.
Servir nunca deve ser motivo de destaque pessoal. No Reino de Deus, quanto maior a responsabilidade, maior também deve ser a disposição para servir, abaixar-se e desaparecer para que Cristo apareça. Todo serviço existe para conduzir as pessoas ao Céu, favorecer a oração de intercessão e colaborar com a restauração das famílias.
Quando surgem incompreensões, críticas ou correções, o caminho continua sendo o mesmo: olhar para a Cruz. Foi ali que Cristo ensinou que o amor permanece mesmo diante da rejeição. As dificuldades também podem ser instrumentos de santificação, quando acolhidas com humildade e entregues nas mãos de Deus.
Em alguns momentos, dar um passo atrás também faz parte da vontade do Senhor. Nem sempre permanecer à frente significa cumprir melhor a missão. Há ocasiões em que Deus pede silêncio, espera e confiança para que outros também cresçam, aprendam e descubram o lugar que lhes foi confiado.
O desejo de viver a santidade não nasce da vontade de ser melhor do que alguém, mas da esperança de permanecer cada vez mais unido a Deus. A santidade é um caminho de configuração com Cristo, onde existe sempre menos de nós e mais d’Ele.
Também os dons e talentos recebidos podem tornar-se instrumentos de evangelização. Registrar momentos de oração, de adoração, da Eucaristia e da entrega das famílias não é apenas guardar belas imagens, mas testemunhar a ação de Deus, para que outras pessoas também sejam alcançadas por Sua graça. Assim como tantos santos utilizaram os meios disponíveis para anunciar Cristo, cada dom pode ser colocado a serviço do Reino.
Ao final, permanece apenas um convite: manter os olhos fixos no Céu. Não nas incompreensões, nem nos elogios; não nas dificuldades, nem nas próprias capacidades. O olhar permanece em Cristo crucificado, porque é d’Ele que vem a força para perseverar.
Enquanto houver pessoas dispostas a interceder, Deus continuará restaurando famílias. E, enquanto o coração permanecer disponível para dizer “eis-me aqui”, será sempre o Senhor quem realizará a obra. Que haja cada vez menos de nós e cada vez mais de Cristo.
