Tema: Liderar na Simplicidade e Humildade
“Ele olhou a humildade de sua serva” Lc 1, 48
Participações: Pe Cosme Ferreira e Missionário Pedro Henrique
Coordenadora Estadual: Leila Aciolly
Coordenadora da Arquidiocese de Belém: Lorena Martins
Se Jesus é o sol da simplicidade, Maria é o Seu espelho sem mácula.
A humildade é uma virtude e Nosso Senhor é o nosso máximo modelo: “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).
Jesus fala às multidões e aos seus discípulos que ouçam e observem o que os doutores da Lei dizem porém recomenda para não fazerem o que eles fazem. Mais uma vez Jesus alerta seus discípulos contra a hipocrisia dos fariseus e escribas, que falavam uma coisa e praticavam outra. Queriam ser notados pelos homens, sentar em local de destaque nos banquetes e sinagogas, ser chamados de mestres e cumprimentados em praças públicas. Era esse comportamento dos fariseus que Jesus pedia para que seus discípulos evitassem. Os fariseus eram arrogantes, orgulhos, excluíam, humilhavam e não tinham misericórdia do povo. Eles estavam em primeiro lugar, ao povo cabia-lhe ser oprimido, ser excluído, sem liberdade alguma.E somos advertidos por Jesus, para estarmos sempre atentos, e não cometermos esses mesmos erros, e ter as mesmas atitudes dos fariseus. Jesus quer que sigamos seus exemplos, de acolhida, humildade, aliviar o fardo pesado de quem é oprimido, de quem perdeu a esperança, ser tolerante, esquecendo nossos interesses.Servir a Igreja e a comunidade como discípulo missionário de Jesus, é servir com alegria, partilhar com humildade, não almejando status, elogios, honras. Não exigir nada, a não ser de nós mesmos, para fazermos bem, e assumir com responsabilidade o nosso compromisso de colaborador para a construção do Reino do Pai. Não usar nunca a religião, para enganar a comunidade, para adquirir algum tipo de poder, para se exaltar ou humilhar o irmão. Não assumimos a missão para sermos servidos, mas para servir, e servir com alegria e humildade. Por isso nos disse Jesus: “…o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exalta será humilhado e quem se humilhar será exaltado” (v. 11-12).Aprendamos com Cristo que é o nosso único mestre, seguindo seu exemplo, na tentativa de ser igual a ele, quando nos diz: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Na humildade nenhuma tentação encontrará espaço em nossa vida, em nosso coração, assim sempre venceremos o mal e as suas tentações.
Sendo a Mãe e o Filho semelhantes em todas as coisas – exceção feita da divindade de Jesus – como não o seriam principalmente neste ponto essencial?
Maria é simples desde o primeiro quê da razão e das faculdades. Vai diretamente ao templo e diretamente a Deus. Dá-se espontaneamente, sem nunca mais retomar-Se, voltar para trás. Ela prende a Deus, Ela não mais O deixará.
A simplicidade escondia-Lhe todas as virtudes e todas as perfeições. Eis por que se perturba e não compreende.
Mas, quando o anjo Lhe anuncia o desígnio e a vontade de Deus, essa mesma simplicidade impede-a de solicitar maiores explicações ou de Se recusar como indigna; e, sem hesitar um instante, fechando os olhos a toda consideração que não seja a de agradar a Deus, responde: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra.”
Simples, Maria se conserva até o fim da vida.
Simplicidade tão perfeita faz com que mereça a maior das recompensas. Quando chega a hora marcada por Deus, do alto Jesus a chama, dizendo: “Vem, vem, ó minha pomba, minha perfeita, minha única; vem, que eu te coroe!“1 E Maria lança-Se para Seu divino Filho. Até Seu corpo, unido à alma, é levado aos céus pelos anjos. Pela simplicidade, ultrapassou todas as criaturas; e, agora, pela recompensa, também as ultrapassa. É Ela quem está mais próxima de Jesus na glória, acima de todos os anjos, de todos os serafins, de todos os eleitos.
Ó Maria, sede para nós o espelho da simplicidade! Se, em Jesus, o brilho da simplicidade por demais nos deslumbra, que, suavizado por Vós, nos encante e arrebate sem nos atemorizar! Prendei-nos cada vez mais à simplicidade, e, por meio dela, a Vós, a Vosso divino Filho e a Deus, para que mereçamos nos encontrar com Eles no céu, na santa unificação da felicidade que não mais será perturbada!
Assim como Maria Santíssima foi a primeira e mais perfeita discípula de Jesus Cristo em todas as virtudes, assim o foi também na virtude da humildade.
O primeiro ato de humildade é o ter baixo conceito de si; e Maria teve sempre tão modesta opinião de si própria, que, posto que se visse cheia de graças, contudo, segundo foi revelado a Santa Mechtildes, não se preferiu jamais a ninguém, lembrando-se de que tudo era dom da liberalidade divina.
Outro ato de humildade é ocultar os dons celestes. Pois bem, Maria Santíssima quis encobrir mesmo a São José a graça de ter sido feita Mãe de Deus, apesar de que a manifestação parecia necessária para livrar o pobre Esposo das suspeitas, que podia formar acerca da sua pureza, vendo-a gravida, ou ao menos para o tirar da confusão que a ignorância do mistério lhe devia causar.
Finalmente, para não falar dos demais atos, foi por amor à santa humildade que Maria teve sempre uma vida retirada; e estando no Cenáculo, quis ocupar o último lugar, depois dos apóstolos e das outras mulheres, como São Lucas dá a entender (3). A Santa Virgem foi também tão amante dos desprezos, que no tempo da Paixão de Jesus, não deixou de aparecer em público no Calvário, não obstante o desdouro de se dar a conhecer por mãe do condenado que morreu como infame de morte infamante.
– Por isso a Venerável Soror Paula de Foligno dizia:“No mundo não há humildade, nem ainda em mínimo grau, em comparação com a humildade de Maria.”Não há dúvida que para a nossa natureza corrompida pelo pecado, não há talvez, como diz São Gregório Nysseno, virtude mais difícil de praticar, exceção feita da castidade, como a virtude da humildade. Não há, porém, remédio, jamais poderemos ser verdadeiros filhos de Maria e gozar suas liberalidades maternais, se não somos humildes; porquanto, imitando seu divino Filho, ela também resiste aos soberbos e dá as suas graças aos que se humilham (4). Pelo que São Bernardo nos exorta: Se não podes imitar a virgindade da humilde, imita a humildade da virgem. Resolvamo-nos, portanto, como fruto desta meditação, a imitar a Santa Virgem no exercício da humildade, a qual consiste em nos termos por tão miseráveis como somos, incapazes de fazer coisa alguma, a não ser o pecado; e em nos comprazermos no desprezo da parte dos outros.
1– Cântico.
Fontes:
