A vivência de um encontro com Deus sempre transborda e se torna graça também para os outros. Foi assim que Leda Landuete Rodrigues de Souza Calente, da Paróquia São Francisco de Assis, Jardim da Penha, em Vitória (ES), mesmo sem poder participar presencialmente do 12º Encontro Nacional e 5º Encontro Internacional do Movimento Mães que Oram pelos Filhos, acolheu com profundidade tudo o que foi partilhado.
Com olhar atento, coração aberto e espírito de oração, ela acompanhou algumas pregações e reuniu em uma síntese as principais mensagens vivenciadas ao longo do Encontro. Mais do que um resumo, trata-se de um testemunho de fé e de escuta, capaz de reacender, em cada mãe, o desejo de confiar, perseverar e entregar seus filhos aos cuidados de Deus.
É com alegria que partilhamos este conteúdo, certos de que ele poderá alcançar muitos corações e fortalecer a missão de tantas famílias na caminhada cristã.
SÍNTESES DAS PALESTRAS QUE ASSISTI NO ENCONTRO DO MOVIMENTO DAS MÃES QUE ORAM PELOS FILHOS – CANÇÃO NOVA – ABRIL/2026
QUINTA-FEIRA, 17 DE ABRIL
Angela Abdo, fundadora do Movimento de Mães que Oram pelos Filhos, iniciou o Encontro acolhendo cada mãe, convidando-nos a olhar para a nossa casa e para a mesa da Eucaristia, lugar onde Jesus se faz presente.
Recordamos os discípulos de Emaús, que, mesmo caminhando com Jesus, não O reconheceram. Eles estavam voltando de Jerusalém para Emaús, retornando à vida antiga, desanimados, fazendo um caminho de tristeza e de morte.
Mas tudo muda quando reconhecem o Ressuscitado ao partir do pão. E, ao partir o pão, Jesus desaparece. A Eucaristia é presença, mas uma presença escondida: Jesus permanece no pão. Os discípulos nos ensinam algo essencial: “Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho?”
É esse coração ardente que nasce do encontro verdadeiro com o Ressuscitado. A partir desse encontro, eles fazem o caminho contrário: deixam Emaús e voltam para Jerusalém. Voltam para a vida, para a esperança, para a missão.
Assim também somos nós. Muitas vezes falamos de Jesus, mas hoje somos convidadas a ir além: falar e viver o Cristo Ressuscitado, vivo no meio de nós. Se acreditarmos realmente que Jesus está presente na Eucaristia, algo muda dentro de nós. Muda a nossa forma de ver, de viver e de agir. O nosso coração passa a arder com Ele e por Ele. Se o Ressuscitado está na Eucaristia, precisamos acreditar: Deus está vivo, presente, caminhando conosco dentro da nossa casa, na nossa família, na nossa história.
Que hoje possamos fazer esse caminho de volta, deixando para trás o desânimo e retomando a fé viva.
“Fica conosco, Senhor… fica em mim!”
SÁBADO, 18 de abril de 2026
Pregação de Angela Abdo neste sábado maravilhoso, que teve início com uma profunda Adoração Eucarística na Canção Nova.
A pregação, intitulada “Eucaristia: Mistério acreditado no amor” Lc 24, 30-31, nos confirma a certeza central da nossa fé: Jesus está vivo, Ele ressuscitou!
A Eucaristia é um presente de Deus, dom supremo do Seu amor por nós. No entanto, muitas vezes, diante do Rei, não reconhecemos Sua presença como deveríamos, fazemos barulho, nos dispersamos, não silenciamos o coração. Se realmente acreditamos que Jesus está presente na Eucaristia, nossa postura precisa refletir essa fé. É na reverência, no silêncio e na adoração que expressamos aquilo que professamos.
Conhecemos o Jesus histórico, sua vida, seus encontros, com Nicodemos, com Zaqueu, com tantos outros. Mas somos chamados a ir além desse conhecimento: reconhecer que o mesmo Jesus continua vivo e presente na Eucaristia.
A mensagem deste ano nos conduz a essa certeza: como Maria Madalena, que ao ver o túmulo vazio proclamou: “Ele ressuscitou!”, também nós somos convidados a crer verdadeiramente. Pois, como nos ensina a fé cristã, se não acreditamos na ressurreição, nossa fé é vã.
Jesus está vivo e, muitas vezes, permanece escondido na Eucaristia — esperando ser reconhecido, amado e adorado.
2ª PREGAÇÃO – ELIANA RIBEIRO
“EUCARISTIA: MISTÉRIO CELEBRADO NO AMOR” EVANGELHO: LUCAS 24, 28-29
Eliana Ribeiro iniciou a pregação com uma pergunta que tocou profundamente o coração dos presentes: “Quem ainda não se decepcionou nesta vida?”. A partir dessa reflexão, conduziu a assembleia ao Evangelho dos discípulos de Emaús (Lc 24), recordando que essa passagem nos oferece a certeza de que Jesus jamais nos abandona, especialmente nos momentos de dor, dúvida e frustração.
Ao recordar a caminhada dos discípulos, destacou que eles não podiam imaginar que a cruz seria o começo, e não o fim, de uma grande história de amor. Nesse momento, entoou o canto: “Quem podia imaginar que aquela cruz era só o começo de uma história de amor…”, reforçando a beleza do mistério pascal. Em seguida, trouxe a súplica dos discípulos: “Senhor, fica conosco, pois é tarde e o dia declina.”
Com firmeza, proclamou: Jesus ressuscitou!
Eliana também fez referência a Tomé, como representação daqueles que, em algum momento, duvidam, desacreditam ou não conseguem enxergar a realização de seus sonhos. Assim como os discípulos de Emaús, muitas vezes também nós não compreendemos os caminhos de Deus e, diante da cruz, pensamos que tudo terminou, quando, na verdade, Deus está iniciando algo novo.
Eliana ressaltou que a Sagrada Eucaristia nos mostra o caminho do encontro com Jesus. Cada momento da Santa Missa foi apresentado como uma experiência profunda de aproximação com Deus:
- Ato penitencial: momento de falar com Deus e pedir um coração livre, purificado e aberto à graça;
- Liturgia da Palavra: ao ouvir a Palavra, nosso coração precisa arder, como aconteceu com os discípulos de Emaús;
- Liturgia Eucarística: memória viva do mandamento de Jesus: “Fazei tudo isso em memória de mim.”
Em espírito de adoração, expressou sua fé com a oração: “Corpo, sangue, alma e divindade, eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé.”
Retomando a súplica central da pregação, repetiu: “Fica conosco, Senhor, diante das minhas frustrações.”
Destacou que, em toda Eucaristia, vivemos uma experiência real de encontro com Cristo, um encontro que transforma a nossa vida. E lembrou que, ao final da Missa, somos enviados em missão: a celebração não termina no altar, mas continua na vida, no testemunho e no amor ao próximo.
Um dos momentos mais marcantes da pregação foi o relato pessoal do grave acidente em que perdeu o pai. Diante de tanta dor, sofrimento e desespero, seu maior desejo foi receber Jesus Eucarístico. Relatou os meses de recuperação como um verdadeiro calvário, mas testemunhou que, mesmo com o corpo fragilizado, a alma foi fortalecida por Deus.
Suas palavras foram profundamente tocantes: o corpo pode estar quebrado, mas a alma é sustentada e fortalecida pela graça de Deus.
Esse testemunho tornou-se uma forte demonstração de que Deus não nos abandona. Mesmo atravessando a dor, a imobilização e o sofrimento, nada é capaz de nos separar do amor de Deus. Diante de toda essa experiência, seu marido, Fábio, na época ainda namorado, compôs a canção:
“O meu coração tem sede de amar, vim ao teu encontro ansioso em te adorar. Meu Deus, eu creio e te adoro, espero, e por aqueles que não te amam…”
Uma canção que traduz a sede da alma por Deus e a certeza de que, na Eucaristia, encontramos força, consolo e amor.
3ª PREGAÇÃO – PE. ALEX NOGUEIRA “EUCARISTIA: MISTÉRIO QUE EDIFICA E SALVA” – EVANGELHO: LUCAS 24, 31
Pe. Alex Nogueira iniciou sua pregação retomando o belo testemunho de Eliana Ribeiro, afirmando que, após ouvir tamanha experiência de fé, nossos corações naturalmente se voltam para Deus. Por isso, convidou todos a rezarem com confiança a oração do Pai-Nosso, colocando a vida nas mãos do Senhor.
Destacou que, neste tempo em que a Igreja reflete sobre a Eucaristia, todos são chamados a viver profundamente essa experiência de fé. Recordou que é necessário edificar a vida em Deus a cada amanhecer, pois foi o próprio Senhor quem nos deu a presença viva de Jesus na Eucaristia para sustentar nossa caminhada diária.
Ao meditar o Evangelho dos discípulos de Emaús, enfatizou que aqueles homens estavam com medo e sem esperança, mas, ao se encontrarem com Jesus, algo extraordinário aconteceu: seus olhos se abriram. Esse momento marca uma mudança profunda no modo de enxergar a vida e a presença de Deus.
Pe. Alex fez um convite especial às mães, relacionando esse versículo com a missão materna: rezar para que os filhos tenham a experiência de reconhecer Jesus. Que seus olhos se abram para perceber que Cristo é o Senhor de suas vidas.
A partir do versículo “Então os olhos deles se abriram”, destacou três pontos fundamentais:
1. Os olhos se abriram – iniciativa de Deus
Não se trata apenas de um ato natural. No sentido bíblico, é Deus quem toma a iniciativa de abrir os olhos. É uma revelação divina. A fé não é conquista humana, mas um dom dado por Deus.
Diante disso, somos convidados a rezar: “Senhor, abre os olhos dos meus filhos!”. Cabe a cada um permanecer fiel, confiando que o mesmo Deus que abriu os olhos dos discípulos de Emaús também abrirá os olhos de nossos filhos.
2. Reconheceram Jesus – experiência de comunhão
Após terem os olhos abertos, os discípulos reconheceram Jesus. Esse reconhecimento vai além de ver: significa viver uma experiência profunda de encontro, de comunhão. Essa experiência aconteceu em um ambiente simples, quase como uma família, representada pelos dois discípulos. Assim também acontece em nossos lares. Uma mãe, ao rezar por sua família, deseja exatamente isso: que todos tenham uma experiência viva com o Senhor, que conduza a uma vida nova.
Pe. Alex ressaltou que os discípulos reconheceram Jesus no partir do pão — ou seja, na Eucaristia. É ali que encontramos sustento. Por isso, afirmou com força: Uma mãe precisa estar sustentada e edificada na Eucaristia, pois é nela que encontrará forças para enfrentar as lutas diárias.
3. Ele desapareceu da vista deles – presença na fé
O Evangelho diz: “Ele, porém, desapareceu da vista deles.”
Esse momento revela que a experiência com Cristo não termina na visão, mas continua na fé. Jesus permanece presente de forma sacramental, especialmente na Eucaristia. Mesmo sem vê-Lo fisicamente, Ele continua no meio de nós, iluminando nossa alma e nos conduzindo à fidelidade na oração.
Ao concluir, Pe. Alex convidou todas as mães a viverem um profundo momento de comunhão espiritual, transformando aquele instante em uma verdadeira profissão de fé. E, em forma de oração cantada, proclamaram: “Na comunhão, Jesus se dá no pão.”
4ª PREGAÇÃO – IR. MARIA RAQUEL
TEMA: EUCARISTIA, LUGAR DE ENCONTRO COM CRISTO – REFERÊNCIA BÍBLICA: LC 24,15
Ir. Maria Raquel iniciou sua pregação destacando a grandiosidade deste tema para o encontro, ressaltando que somos convidados a avançar para águas mais profundas na fé. Trouxe como exemplo a figura de Ana, a viúva que vivia no Templo. Mesmo sozinha, ela era feliz, pois vivia na presença de Deus. Sua vida nos ensina que a verdadeira plenitude não está nas circunstâncias, mas na intimidade com o Senhor.
A pregadora alertou que é inconcebível participar da Santa Missa como se estivéssemos em um teatro. A Eucaristia não é um espetáculo, mas um encontro real com Cristo. Nosso compromisso deve ser o de adorar a Deus com todo o coração. Destacou a importância do exame de consciência, especialmente para as mães eucarísticas, adoradoras e reparadoras. Somos chamadas a viver a Missa como se estivéssemos no Calvário, mergulhando profundamente nesse mistério e experimentando o efeito extraordinário de sentir a presença de Jesus.
Ir. Maria Raquel também ressaltou que uma das estratégias do demônio é nos afastar da Eucaristia, levando-nos a comungar de forma distraída ou sem o devido respeito. Chamou a atenção para atitudes que nos desviam desse momento sagrado, como conversas e o uso do celular, que enfraquecem nossa entrega a Jesus. Reforçou que devemos participar da Santa Missa como se fosse a última de nossa vida, com total atenção, amor e entrega.
Recordou ainda as palavras de Jesus ao instituir a Eucaristia: “Fazei isto em memória de mim.”
Em sua reflexão, apresentou os diversos lugares de encontro com Deus:
- o encontro do povo de Deus reunido,
- o sacerdócio,
- a Palavra de Deus,
- e, de modo pleno, a Eucaristia.
Destacou que a Palavra nos sustenta e nos dá força para perseverar, impedindo-nos de voltar atrás na caminhada de fé.
Por fim, reafirmou que a Eucaristia é o próprio Cristo: corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. A pregação foi encerrada com um momento de oração, quando Ir. Maria Raquel convidou Ir. Joana para entoar o canto: “Adorar em meio à dor.”
5ª PREGAÇÃO: PE. SIDNEY – “EUCARISTIA, FONTE DE SERVIÇO AOS IRMÃOS” (JO 13,1-15)
Iniciou sua pregação proclamando o Evangelho de São João, fazendo um breve resumo da passagem. Destacou que estamos neste encontro refletindo sobre o maior tesouro da nossa vida: a Santa Eucaristia. Disse à assembleia que ele é fruto de um sacerdócio vivido também no âmbito familiar e que estava diante de muitas mães que rezam por seus filhos.
Antes de entrar diretamente no tema, questionou as mães: “Quem aqui já se sentiu cansada de amar, de cuidar, de se doar e de fazer tudo por amor, e, às vezes, isso não retorna da mesma forma?”
Recordou que Jesus nos amou até o fim. Ele sabia que seria traído e, mesmo assim, lavou os pés daquele que o trairia. Sabia que seria abandonado pelos seus e, ainda assim, celebrou a Páscoa com aqueles que amava. Assim também é o amor de mãe: muitas vezes ama até o fim, mesmo diante das incompreensões dos filhos e da falta de reconhecimento.
Deus enviou seu Filho para morrer em nosso lugar. Ele nos ama quando não merecemos ser amados; não nos ama a partir dos nossos méritos, mas para além deles. É nesse contexto que, no Evangelho de João, se revela a profundidade da Eucaristia: essa doação infinita de Jesus. Lavar os pés, hoje, é escolher amar quando seria mais fácil desistir; é amar em meio aos obstáculos, confiando que, mesmo no caos, o Espírito de Deus paira sobre nós.
Dirigindo-se às mães, provocou: “Qual é o pé que Deus está te pedindo para lavar hoje?” Talvez seja uma situação que ainda faz chorar, que ainda causa dor. Sem acolher o amor de Deus, jamais conseguiremos amar como Ele nos ama.
Deus sussurra em nosso ouvido: “Deixa-me cuidar de você, mãe!”
A Eucaristia não termina no altar; ela continua na vida, no cotidiano. Ela nos transforma e nos faz melhores, quando comungamos com o desejo de transformar a nossa vida e também a vida dos outros. Talvez nossos filhos nunca abram a Palavra, mas nós, mães, devemos perseverar na oração por cada um deles.
Ao final, convidou a todos a olharem para dentro de si e responderem: “Onde está difícil amar?” Que essa resposta fosse apresentada em oração, em diálogo sincero com Jesus.
A Eucaristia se torna vida quando o amor que recebemos se transforma em amor e doação.
PREGAÇÕES DO DOMINGO, 19 DE ABRIL
1ª PREGAÇÃO: PE. DONIZETE – “EUCARISTIA, MISTÉRIO ANUNCIADO NO AMOR” (LC 24, 33-35)
A 1ª pregação, conduzida pelo Pe. Donizete, teve como tema “Eucaristia, mistério anunciado no amor”, à luz do Evangelho de Lucas 24, 33-35. Ele iniciou convidando a assembleia a cantar “Senhor, quando te vejo no sacramento da comunhão…”, criando um ambiente de profunda espiritualidade e recordando que Jesus permanece conosco todos os dias, como prometeu. A partir disso, reforçou que somos chamadas a ser mães eucarísticas, conscientes dessa presença viva de Cristo.
Destacou que a Eucaristia não é algo individual, mas um dom que precisa ser partilhado, especialmente pelas mães, que têm a missão de levar essa graça para dentro de suas famílias e para outras mães. Em seguida, apresentou três aspectos fundamentais da Eucaristia: nela somos encontradas por Jesus, somos consagradas por Ele e somos enviadas por Ele. Só podemos viver essa missão se a assumirmos com consciência e compromisso.
Inspirado no caminho dos discípulos de Emaús, explicou que é Jesus quem vem ao nosso encontro, mesmo em meio às nossas dores e angústias. Muitas vezes, porém, não O reconhecemos. Como está em Lucas 24, 18, os discípulos trataram Jesus como um estrangeiro, e assim também acontece conosco quando comungamos, mas vivemos depois como se não tivéssemos encontrado o Senhor. Por isso, é necessário redescobrir o valor real da presença de Jesus na Eucaristia.
Ele também ressaltou que, após a comunhão, não saímos sozinhos da Missa, mas levamos Jesus conosco. Somos chamadas a sair com o coração ardendo de amor, sendo mães humildes, simples e conscientes da graça recebida. Nesse contexto, destacou o papel dos sacerdotes, escolhidos por Deus para nos trazer Jesus na Eucaristia, mesmo sendo humanos e frágeis. Orientou que não devemos nem difamar nem idolatrar os padres, mas rezar por eles, reconhecendo sua missão.
Um ponto importante da reflexão foi o gesto da mistura da água no vinho durante a Missa, que representa a união da natureza humana com a natureza divina de Cristo, além de recordar nossa união com Ele em seu sacrifício. Nesse momento, o sacerdote reza: “Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”, evidenciando a profundidade desse pequeno gesto.
Por fim, reforçou que a Eucaristia nos envia em missão. Como diz o Evangelho em Lucas 24, 33, os discípulos, antes tristes e desanimados, levantam-se e retornam para anunciar o que viveram. Assim também nós, ao ouvirmos “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”, somos verdadeiramente enviadas a levar Jesus aos outros. Essa missão começa na igreja doméstica, na família, onde somos chamadas a testemunhar com a vida, glorificando a Deus em nossas ações.
A pregação se encerra como um apelo profundo para que não guardemos a Eucaristia apenas para nós, mas a transformemos em vida e missão, pedindo: “Que Jesus fecunde em nossos corações tudo aquilo que Ele fez por nós.”
2ª PREGAÇÃO: JOSÉ ALEXANDRE – “EUCARISTIA, CAMINHO SEGURO PARA A SANTIDADE” (JO 6, 66-71)
José Alexandre iniciou sua pregação orando pela nossa busca da santidade. Lançou um desafio às mães presentes: trazer um pai para o encontro do próximo ano. Destacou que a Eucaristia é um caminho seguro para a santidade e mencionou que, em 2023, foi lançado o livro Eucaristia, caminho para a vida.
Fez referência aos comentários que revelam a dificuldade que temos em compreender e viver o caminho da santidade. Essa realidade, às vezes, nos incomoda e até nos leva ao desânimo. Citou que, hoje, a medicina tem falado sobre a importância da higiene do sono, fazendo um paralelo com a necessidade de cuidarmos também da nossa vida espiritual.
Deus deseja que vivamos uma vida espiritual e que sejamos santos, enxergando esse caminho como algo simples. É preciso amar e ser fiel. Não precisamos ter um amor perfeito, mas amar do jeito que conseguimos, vivendo na fidelidade a Deus. Amar e ser fiel são atitudes ativas da nossa vida espiritual, pois o restante é o Espírito Santo quem realiza em nós. É difícil amar, porque somos pecadores e egoístas, mas devemos permanecer fiéis, buscando fazer a vontade de Deus.
Quando assumimos algo que não gostaríamos de fazer, Deus conduz todo o processo, concedendo-nos força e fé. Quem ama faz sacrifícios, e assim também somos chamados a amar. Amar com sacrifício: isso é amor, é Eucaristia, é fidelidade.
A Eucaristia é um sacrifício de amor que nos sustenta no caminho da santidade. É esse amor que nos move: o amor vivido no sacrifício.
São João da Cruz ensina que a purificação da alma acontece de duas formas:
- Ativa: quando a pessoa, com esforço e com a graça de Deus, busca desapegar-se, rezar e converter-se.
- Passiva: quando o próprio Deus purifica a alma, muitas vezes por meio de provações, aridez espiritual e noites escuras.
Esse caminho conduz a uma união mais profunda com Deus, fortalecida e alimentada continuamente pela Eucaristia.
Fez uma recomendação muito forte: estar diante do Santíssimo, ao menos 10 minutos por dia, e dizer: “Senhor, estou aqui por fidelidade e amor.”
Como os discípulos de Emaús, que ao reconhecerem Jesus na fração do pão suplicaram: “Fica conosco, Senhor, pois a tarde declina e a noite já vem”, somos chamados, em nossas noites escuras, a buscar o fortalecimento da fé, pedindo a Deus que caminhe conosco nos momentos difíceis, cheios de frustrações e angústias. Sejamos humanos e permitamos que Deus aja em nossa vida. Essa é a proposta de Deus para nós.
Jesus entrou para permanecer com os discípulos; Ele também entra em nossa casa e em nossa vida para ficar conosco. Não tenhamos medo da noite, mas reconheçamos a presença de Jesus e sintamos o coração ardente por Ele.
Encerrou dizendo que, muitas vezes, não temos forças para ser santos, mas onde não podemos, o Senhor pode. Que possamos levar para nossa casa este propósito: “levar a Eucaristia por onde eu passar”.
2ª PREGAÇÃO: PE REGINALDO MANZOTTI – “NA ESCOLA DE MARIA, SER MÃE EUCARISTICA” (AT 1,14)
Pe. Reginaldo iniciou sua pregação afirmando que Nossa Senhora, a Virgem Santíssima, é o modelo das mães que oram. “Viva Nossa Senhora de La Salette!”. Somos alunas atentas, obedientes e silenciosas na escola de Maria. Entrar na escola de Maria é aprender com ela o silêncio exterior e interior, tornando-nos pessoas da escuta e de profunda fidelidade a Deus.
Maria não ensina com longos discursos, mas com uma presença que sustenta. Em Atos 1,12-14, vemos que: “Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras… Todos eles perseveravam unanimemente em oração, com algumas mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos Dele.”
São João Paulo II apresenta Maria como modelo profundamente unido à Eucaristia e recorda que ela viveu, de modo único, aquilo que a Igreja vive na Missa. Assim como Maria, pela ação do Espírito Santo, gerou Jesus em seu ventre, também na Eucaristia a Igreja invoca o Espírito Santo para que o pão e o vinho se tornem o Corpo e o Sangue de Cristo.
Nesse sentido, São João Paulo II nos ajuda a compreender que:
- Maria é a “mulher eucarística”, porque viveu uma união total com Cristo;
- Seu “sim” e sua abertura ao Espírito Santo são modelo para nós;
- A Igreja, como Maria, também invoca o Espírito Santo para que Cristo se torne presente.
Assim como Maria acolheu Jesus pela ação do Espírito, nós O acolhemos na Eucaristia pela mesma ação do Espírito Santo.
Maria, no meio da comunidade, reza e espera o Espírito, participando desse momento fundamental da Igreja nascente. Ela não apenas acolheu o Espírito na Anunciação, mas permaneceu em oração com a Igreja, tornando-se modelo de quem espera, invoca e acolhe a ação do Espírito Santo. Assim deve ser a mãe eucarística: vocacionada, chamada por Deus e sustentada por Nossa Senhora. Maria não guarda Jesus para si; ela se põe apressadamente a caminho para visitar Isabel. Assim também devemos permitir que Deus seja gerado em nosso coração e assumir a missão de levá-Lo ao mundo.
Uma mãe eucarística deve participar da Missa dominical. A mãe que ora também precisa estar com as “mãos na massa” na comunidade, disponível para servir.
Romanos 12 é um convite à transformação da vida em oferta a Deus, vivida no amor concreto. Esse capítulo nos ensina que a verdadeira fé não se resume a palavras ou ritos, mas se expressa em uma vida transformada, oferecida a Deus e marcada pelo amor no cotidiano.
Muitas vezes choraremos por nossos filhos, mas que seja um choro de fé e esperança, sustentado pela presença real de Jesus. Somos chamadas a dobrar os joelhos diante da Eucaristia.
Como mães, devemos estar diariamente diante do Santíssimo e dizer: “Jesus, eu estou aqui. Quero ser uma mãe eucarística. Fortalece a minha fé.” Que sejamos intercessoras pelas mães do mundo inteiro.
Uma mãe eucarística é aquela que cultiva a intimidade com Deus; que vive o silêncio; que permanece fiel nas adversidades e dificuldades; que ama sem esperar retorno; que vive na presença de Deus no cotidiano e que é disponível para servir.
“Senhor, vinde a mim. Senhor, agi em mim. Senhor, amai através de mim.”
Ser mãe eucarística é permanecer com Jesus, com a Igreja e com os que sofrem. É permanecer mesmo quando não há respostas.
Pe Dozinete sugeriu a oração de São Tomaz que Aquino para orarmos após receber a Santa Eucaristia:
“Eu vos agradeço, Senhor Deus Todo-Poderoso, por me terdes alimentado com o preciosíssimo Corpo e Sangue de vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo,
eu que, sem mérito algum, mas por vossa misericórdia, recebi este Sacramento.
Peço-vos que esta Sagrada Comunhão não seja para mim motivo de juízo e condenação, mas defesa salutar para a alma e para o corpo.
Seja ela armadura da fé, escudo da boa vontade, remédio para os meus vícios,
extinção das paixões, aumento da caridade, da paciência, da humildade e da obediência, e de todas as virtudes.
Seja firme defesa contra as ciladas dos inimigos visíveis e invisíveis, perfeita tranquilidade dos meus afetos, plena união convosco, meu Deus, e feliz consumação no fim da vida. Amém.”
Leda Landuete Rodrigues de Souza Calente
Paróquia São Francisco de Assis – Jardim da Penha
Vitória – ES

