“Deixai crescer um e outro até a colheita.” (Mt 13,30)
Ao rezar com o Evangelho do joio e do trigo, percebi que essa parábola também ilumina a minha caminhada de fé.
Nasci em um lar católico, fui batizada e fiz minha Primeira Comunhão. Com o passar dos anos, porém, fui me afastando da Igreja. Passei a questionar muitas coisas, não porque conhecesse profundamente a fé, mas justamente porque me faltava evangelização. Hoje compreendo que eu queria que a Palavra de Deus se adaptasse à minha vida, quando, na verdade, sou eu quem deve moldar a minha vida à Palavra, vivendo a Palavra.
Mas Deus é paciente. Como o agricultor da parábola, Ele não desistiu de mim. Não arrancou o trigo por causa do joio. Esperou o tempo certo e foi conduzindo minha história com infinito amor.
Primeiro vieram o Terço com Pedro Siqueira e a Adoração na Basílica de Nazaré. Depois, em janeiro de 2017, por um convite da minha cunhada, conheci o Movimento Mães que Oram pelos Filhos, na Paróquia Nossa Senhora de Loreto, em Belém/PA. Entrei para rezar pelos meus filhos, porque sentia a dor de vê-los afastados da Igreja e reconhecia que eu também não havia sido o melhor exemplo de vida cristã.
Nesse caminho, fui também aprendendo a confiar na intercessão da nossa padroeira, Nossa Senhora de La Salette, que nos chama à conversão com amor materno, e da nossa co-padroeira, Santa Mônica, que se tornou para mim uma grande inspiração. Assim como ela, que nunca desistiu da conversão de sua família e perseverou em oração silenciosa e confiante, eu também fui sendo fortalecida para continuar rezando, mesmo quando não via resultados imediatos.
Entretanto, Deus tinha planos maiores. Enquanto eu rezava pelos meus filhos, Ele transformava o meu coração. Fui sendo catequizada, aprendendo a amar a Palavra de Deus, compreendendo a riqueza da Igreja e descobrindo que minha missão não era rezar apenas pelos meus filhos, mas pelos filhos do mundo inteiro.
Foi nesse caminho que também descobri a alegria do serviço. Comecei na intercessão da minha paróquia e, depois, fui chamada para a equipe de mídia, de onde nunca mais saí. Hoje, com muita gratidão, sirvo como apoio da mídia nacional e internacional do Movimento. Para mim, servir deixou de ser apenas uma atividade; tornou-se uma resposta de amor Àquele que nunca desistiu de mim.
Hoje continuo sendo uma mulher em caminho. Não sou perfeita. Caio, erro e recomeço muitas vezes. Mas aprendi que Deus não espera a perfeição para nos amar. Ele nos educa com paciência, transforma nossas quedas em aprendizado e nos faz crescer, pouco a pouco, no caminho da santidade.
Quando leio a parábola do joio e do trigo, lembro-me de que Deus enxergou o trigo que existia em meu coração, mesmo quando eu só conseguia ver minhas limitações. É essa certeza que me sustenta: Deus continua cuidando da sua plantação e realizando sua obra no tempo certo.
Foi isso que aprendi no Movimento Mães que Oram pelos Filhos. A espiritualidade do Movimento nos ensina a confiar, a perseverar e a entregar tudo nas mãos de Deus, sem querer antecipar o tempo d’Ele. Aprendi que a oração de uma mãe não transforma apenas a vida de seus filhos; ela transforma, antes de tudo, o coração da própria mãe.
Hoje compreendo que, muitas vezes, Deus começa a obra por nós. Enquanto rezamos pela conversão dos nossos filhos, é o nosso coração que Ele vai moldando, purificando e santificando. Ele nos ensina a amar mais, a julgar menos, a esperar com esperança e a confiar, mesmo quando os frutos ainda não aparecem.
Assim como na parábola, Deus sabe o tempo da colheita. A nós cabe permanecer fiéis, cultivando o trigo que Ele semeou em nosso coração, certos de que Aquele que começou a boa obra jamais deixará de concluí-la.
Se hoje continuo caminhando, servindo e perseverando, é porque experimentei em minha própria vida que Deus nunca desiste de seus filhos. Ele espera, cuida, educa, fortalece e transforma.
E essa é a maior graça que o Movimento Mães que Oram pelos Filhos me proporcionou: descobrir que, enquanto eu pensava que estava rezando apenas pela conversão dos meus filhos, Deus estava realizando, silenciosamente, a conversão da mãe. E é dessa transformação que nasce a esperança de que, no tempo de Deus, toda oração feita com amor dará os frutos que Ele preparou.
Claudilena Puget


