Minha história com o Movimento começa em um leito de UTI, com meu pequeno Pedro, com apenas cinco meses de vida, e um diagnóstico nada animador: pneumonia com derrame pleural e H1N1. Foram nove dias clamando a Deus pela graça de um milagre. Todos os dias eu me fortalecia rezando o Santo Terço e entregava meu filho à intercessão de Nossa Senhora de Fátima, de quem sempre fui devota. Ali, naquele lugar de dor, fiz a promessa de que, se eu voltasse para casa com meu filho nos braços, voltaria a servi-Lo.
Antes de me casar, eu sempre estive envolvida nos serviços da Igreja, na cidade onde morava. Mas, depois da mudança para Vitória, minha vida de serviço ficou para trás. Eu ia à Santa Missa, mas era apenas aquela fiel que “esquentava o banco da igreja”. No fundo, isso me incomodava.
E a graça aconteceu. Pedro voltou para casa com a saúde completamente restaurada.
Algum tempo depois, no grupo da escola da minha filha mais velha, que na época tinha quatro anos, as mães comentavam sobre a triste situação das crianças intoxicadas em uma creche de Vila Velha. Em meio àquela conversa, compartilhei a foto da capa do livro que eu estava lendo naquele momento: Mães que Oram pelos Filhos – Tudo pode ser mudado pelo poder da oração.
Na mesma hora, a mãe de um coleguinha (que hoje é uma das minhas melhores amigas) me perguntou:
— Você conhece o Movimento? Venha participar conosco!
E o grupo acontecia justamente onde? No Santuário de Fátima. (Olha ela aí!)
Aquilo me marcou profundamente. Eu já conhecia o Movimento pelos canais de evangelização e era completamente apaixonada por ele. Eu tinha os livros, a camisa, o terço, a pulseira… Mas nunca imaginei que existisse um grupo tão perto de mim.
Respondi que iria, mas fiz apenas uma pergunta:
— Posso levar minha filha?
O Pedro ficaria com meu marido, mas deixar um bebê e uma criança de quatro anos… As mães entendem! (risos)
Minha amiga respondeu que também levava o filho, porque não tinha com quem deixá-lo.
Sem perceber, Deus começava a escrever um novo capítulo da minha história.
Foram tantas graças que seria impossível contar todas neste testemunho. Outras mães também começaram a levar seus filhos. Então, nossa coordenadora percebeu que precisaria implantar o Cantinho dos Filhos.
Quando surgiu o convite para servir nessa missão, meu coração ardeu. Nem sei explicar. Eu disse “sim”.
Comecei servindo no grupo, depois fui chamada para o Serviço Estadual e, hoje, pela infinita misericórdia de Deus, sirvo na Coordenação Nacional do Serviço Infantil e Juvenil. Esse, sim, foi mais difícil (risos), mas eis-me aqui, Senhor.
Se dependesse apenas da Ludmilla, isso jamais teria acontecido.
Sou tímida. Tenho limitações, enfrento desafios que muitas vezes me fazem sentir incapaz. Mas Deus nunca chamou os capacitados. Ele capacita aqueles que dizem “sim”. Nós somos apenas instrumentos; a obra é d’Ele.
Ele só precisa encontrar um coração disponível, disposto a servir com amor, zelo e fidelidade. O restante Ele realiza. É literalmente aquilo: você coloca o pé, e Deus coloca o chão.
Por isso, sempre digo às coordenadoras e às mães:
“Se o Senhor te chamar, vá. Vá sem medo… ou vá com medo mesmo. Mas vá. Porque o seu ‘sim’ foi dado para Ele, e Ele jamais abandona quem responde ao Seu chamado.”
Quem poderia imaginar que um dia eu comporia uma canção para Nossa Senhora e que ela seria cantada por crianças espalhadas por todo o Brasil? Meu coração arde quando paro para pensar.
Ao longo desses anos, vi o Espírito Santo conduzir este serviço lindamente. Vi, nitidamente, Deus cuidar dos mínimos detalhes.
Lembro-me das palavras da tia Angela, que dizia que, no início, tinha muito receio em relação ao Serviço Infantil e Juvenil. Hoje, ela mesma se declara apaixonada por essa missão. E isso só confirma que esta obra nasceu e permanece sustentada pelo próprio Deus.
Também sou profundamente grata à Lindalria, que me antecedeu na coordenação. Servir ao lado dela foi uma grande escola. Aprendi muito e continuo aprendendo.
Minha gratidão se estende a cada coordenadora estadual, que, com tanto amor e dedicação, não mede esforços para que este serviço cresça a cada dia. Cada pessoa que passou por esta missão deixou sementes de amor. E tudo isso porque Deus tem pressa em evangelizar os seus pequeninos.
Faço também uma gratidão muito especial à minha família, que abraçou esta missão junto comigo: meus filhos, envolvidos até o pescoço (risos), e meu esposo, eterno companheiro de caminhada, que, desde que assumi a Coordenação Nacional, não mediu esforços para que pudéssemos estar presentes na Canção Nova, no Encontro Nacional do Movimento.
Nenhuma missão é vivida sozinha. Quando uma família caminha unida, ela também evangeliza. Por isso, agradeço a Deus pelo privilégio de servir ao lado daqueles que mais amo.
Essa é a minha história com o Movimento. Uma história que começou com uma promessa feita entre lágrimas, foi sustentada pela oração de uma mãe e continua sendo escrita, todos os dias, pelas mãos de Deus.
Hoje posso cantar, com toda a certeza do meu coração:
“…aqui é o meu lugar.”
Testemunho de fé e de amor
Ludmilla Amorim




