Mãe Formada, Família Restaurada!

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UM CLAMOR DE DEUS, UMA RESPOSTA DE DEUS

Eu, Fátima, comecei a perceber que meu filho Arthur estava muito estranho: mais calado, tenso e distante. Perguntei ao meu esposo, Ronaldo, se ele também havia notado algo diferente, mas ele respondeu que não. Disse que os dois haviam assistido a um jogo de futebol juntos e conversado normalmente, como sempre faziam.

No dia seguinte, Arthur revelou ao pai que estava envolvido com apostas esportivas on-line, os chamados jogos de azar virtuais. Contou que só acumulava perdas, mas que não conseguia parar de jogar. Aquilo estava lhe fazendo muito mal e causando grande sofrimento.

Meu esposo me chamou imediatamente para conversar. Fiquei em choque. Eu já havia visto propagandas desses jogos na televisão, mas jamais imaginei o poder destrutivo que eles poderiam exercer sobre uma pessoa.

Rapidamente, Ronaldo conseguiu uma consulta com um psicólogo e um psiquiatra para o dia seguinte. Durante o atendimento, fomos informados de que esses jogos podem causar dependência e que a área do cérebro afetada é a mesma envolvida em outros tipos de vício. Arthur iniciaria um tratamento.

Após as consultas, ele parecia mais tranquilo. Fomos lanchar em um shopping e conversamos sobre outros assuntos. Parecia que tudo estava caminhando para uma solução.

No dia seguinte, acordamos cedo, como de costume. Meu esposo saiu para correr e depois iria a uma consulta. Arthur foi para a faculdade, e eu seguia minha rotina normalmente. Por volta das nove horas da manhã, recebi uma ligação do meu filho dizendo que estava em um hospital e que seria internado.

Meu coração disparou. Pensei que tivesse acontecido algum acidente. Ele me pediu calma e disse para ouvir os áudios que havia enviado. Entrei em pânico. Nas mensagens, ele dizia que não suportava mais o que estava vivendo e que havia decidido se internar.

Liguei imediatamente para meu esposo, mas ele já havia recebido a mesma mensagem. Quando cheguei ao hospital, encontrei Ronaldo chorando muito, embora estivesse tentando resolver toda a situação.

Como Arthur é maior de idade e já havia assinado os documentos autorizando a internação, não podíamos fazer nada para impedir. A decisão era dele.

Começou então uma corrida contra o tempo para encontrar uma clínica adequada. Não conhecíamos nenhuma e não queríamos que ele fosse encaminhado para qualquer lugar. Caso não conseguíssemos, o hospital o transferiria para uma unidade pública. Pedimos ajuda a duas sobrinhas que, por atuarem na área da saúde, poderiam nos orientar mais rapidamente.

Durante todo esse processo, Arthur chorava, mas em nenhum momento desistiu da internação. Pelo contrário, tentava nos consolar.

Quando finalmente encontramos uma clínica, recebemos a informação de que, por se tratar de uma internação voluntária, ele só poderia sair do hospital em uma ambulância.

Enquanto aguardávamos, fui para casa organizar a mochila com tudo o que a clínica exigia. Foi então que me lembrei de um livro que havia comprado apenas porque gostei do título, sem imaginar o quanto ele seria importante: “Vencendo a Ansiedade com Deus Pai”. Peguei o livro e o coloquei na mochila.

Ao chegarmos à clínica, ele estava firme. Já não chorava. Foi ele mesmo quem preencheu toda a documentação da internação. Eu já não sabia mais o que sentia. Era como se minha alma tivesse saído do corpo.

Passamos pela entrevista com o psiquiatra, que ficou impressionado com sua decisão. Inclusive, comentou que Arthur era o primeiro caso de internação voluntária daquela clínica.

Então chegou o momento mais difícil: deixá-lo ali.

Meu mundo desabou.

Enquanto nós chorávamos, ele nos dizia para irmos em paz, afirmando que estava bem e que tudo daria certo. Quando o portão se fechou, eu e meu esposo permanecemos do lado de fora, rezando entre lágrimas e entregando tudo nas mãos de Deus.

Meu esposo dizia que havia falhado, que não conseguira cuidar da família como deveria. Sempre procuramos afastar nossos filhos das drogas e das más influências, mas o inimigo procura qualquer brecha para agir. Jamais imaginamos passar por uma situação como aquela.

Durante três dias, tivemos notícias apenas por telefone.

No quarto dia, Arthur ligou dizendo que já poderia voltar para casa. Foi então que nos contou o que havia vivido.

Disse que, tanto no hospital quanto na clínica, conversava o tempo todo com Deus e pedia um sinal. Também lia diariamente o livro que eu havia colocado em sua mochila. Entre leituras e orações, clamava incessantemente ao Senhor.

Segundo ele, no terceiro dia acordou com uma paz profunda, um discernimento muito claro e uma certeza interior de que aquele lugar não era para ele. Sentiu fortemente a presença de Deus respondendo ao seu clamor.

Ligou para nós, explicou tudo o que estava acontecendo, mas pediu que o buscássemos apenas no dia seguinte, pois queria terminar a leitura do livro.

Quando chegamos à clínica, encontramos um Arthur diferente: sorridente, tranquilo e profundamente tocado pela ação de Deus em sua vida.

E assim ele continua.

Hoje, sigo acreditando nas promessas de Deus para a minha família. Durante todo aquele período, mesmo com o coração dilacerado, não tirei meus joelhos do chão.

Fazer parte do movimento Mães que Oram pelos Filhos tem me fortalecido em todas as áreas da minha vida. Aprendi uma nova forma de conversar com Deus, de confiar em Sua providência e de recorrer à intercessão de Nossa Senhora por minha família.

Hoje sinto, de maneira muito concreta, a presença de Deus conduzindo nossa história.

 

Testemunho de Fátima

Paróquia São José – Taguatinga/DF

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