INCENTIVANDO A INDEPENDÊNCIA DOS FILHOS


Diante de noticias de jornais e televisão sobre adolescentes envolvidos com situações de infrações e aumento de reincidências, filhos que matam pais ou irmãos por motivos considerados muitas vezes inexplicáveis. Uma pergunta se faz necessária, onde isto tudo começa?

Alguns respondem que começa na vulnerabilidade das famílias, outros no modelo de ensino as escolas ou numa sociedade onde predomina o ter e não o ser. Os estudiosos com uma visão sistêmica observam que todas essas causas impactam, pois vivemos um modelo dicotomizado onde muitas vezes estas instancias não se falam adequadamente, não somam mas dividem forças.

Por isso, cada dia mais se torna premente uma reflexão sobre os limites que são  trabalhados pela família e pela escola.Muitas vezes os pais terceirizam para escola uma postura de tornar as crianças independentes, desde o simples ato de tirar a chupeta, as fraldas até mesmo lidar com sentimentos de decisões diante de situações da vida.

O primeiro passo é ajudar ao filho construir uma auto imagem boa e acima tudo mostrar que  adquirir uma estima adequada, ajuda  no processo de decisões que facilita a independência, que ajuda na hora de se posicionar contra coisas erradas oferecidas por outros. O ensino que é oferecido nas escolas complementa o adquirido no lar e a partir dos relacionamentos entre familiares e colegas , nós podemos e devemos exercitar o nosso direito de escolhas .

Não existe formulas mágicas, mas um mapa que pode ajudar os pais.

O segundo passo é construir valores que forneçam balizamento no momento de decisão, pois a norma nós podemos burlar, mas é difícil lutar contra valores e crenças introjetadas, estas falam sempre mais alto que as nossas ações. E são mais difíceis de serem derrubadas quando confrontadas com as do mundo.

O terceiro passo é a atitude que a família tem com a criança, ensinando no lugar de fazer, é mais fácil amarrar o tênis do filho, concordo que é mais trabalhoso ensiná-lo a amarrar, porém, ao longo do tempo isto gera independência física

O quarto passo é o corte emocional que muitos pais têm com os filhos, não querem que eles cresçam e vão construir suas vidas, precisam de filhos infantilizados para se sentirem uteis.

O quinto passo é construir a independência emocional. Segundo Cury (2003): “hoje, bons pais estão produzindo filhos ansiosos, alienados, autoritários, indisciplinados e angustiados”. Como muitas vezes a família que deveria ser um espaço de aprendizado se torna um lugar de aprendizados de apelos para o consumo desenfreado, para a violência, para o sexo sem limites que na ótica do autor são: “estímulos sedutores que se infiltram nas matrizes de sua memória (…), os pais ensinam os filhos a serem solidários e a consumirem o necessário, mas o sistema ensina o individualismo e a consumir sem necessidade”.

Portanto não basta ser bom pai tem que participar da construção emocional, elogiando e criticando comportamentos, como fortalecimento da formação do filho. Lembrando que as suas ações são as maiores fontes de aprendizado.

Nesta construção existem pais autoritários com dificuldade de dialogo e demonstração de afeto, se apegam as regras e não fazem um trabalho de troca de razoes para tomar decisões, gerando crianças com alto grau de dependência e acostumadas a imposições paternas. Por outro lado, temos o inverso os pais muito tolerantes, que são afetivos e chegados ao dialogo,mas com dificuldade de colocar limites , chegando a serem permissivos diante de desejos e condutas inadequadas dos filhos.

Portanto se queremos ter filhos com atitudes independentes não devemos ser nem autoritários e nem permissivos, mas pais democráticos que sabem demonstrar afeto e dialogo, mas possuem equilíbrio nas suas ações, estimulando a independência e reforçam valores. Estabelecem e fazem cumprir regras claras de acordo com a idade de cada criança, mas demonstram flexibilidade quando é preciso voltar atrás.

Ângela Abdo




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